
Artigo
Life Coaching — A Arte de Treinar o Jogo da Vida
Por L. Michael Hall, Ph.D. —
Escolha um esporte, qualquer um. Tênis, golfe, beisebol, ginástica, boxe, futebol — não importa qual você escolha. Agora, na sua imaginação, veja pessoas praticando esse esporte: divertindo-se, desenvolvendo habilidades, aprendendo sobre si mesmas e sobre os outros, ganhando confiança, vencendo, perdendo, refinando habilidades, vencendo em equipe, unindo-se umas às outras — e sendo treinadas por um coach.
Ótimo. Agora, com esse filme em mente, dê um zoom naquela última cena: “sendo treinadas por um coach”. Isso. Agora desloque-a um pouco para a direita. Muito bem. Agora enquadre apenas o coach e a equipe. Ao fazer isso, perceba como o coaching pode fazer toda a diferença no desempenho da equipe. E, no entanto, o coach não está lá no campo nem na quadra. O coach não faz nada, de fato, quando se trata da execução do jogo em si. Nesse ponto do processo, o coach está em um papel de meta-observador, de quem dá feedback e de líder dos processos.
Então, como é possível que um coach faça toda a diferença? Quando transferimos isso para o coaching de negócios, de vida ou executivo, o que um coach realmente faz?
De “The Inner Game of Tennis” aos livros mais recentes da área de coaching, a ideia de contar com alguém que compreende estrutura e forma, acima e além do conteúdo, vem conquistando o mundo dos esportes, dos executivos, dos maiores vendedores e, agora, de especialistas em todas as áreas da vida. Por quê? Qual é o apelo? O que está acontecendo aqui?
Treinar um atleta olímpico nos permite ver com clareza que o coach possui uma expertise muito especial — não do esporte, mas sobre o esporte. Os melhores técnicos, na maioria das vezes, nem chegam perto quando se trata de executar de fato a habilidade em questão. Quando eu treinava ginástica, os meninos me desafiavam com frequência: “Queremos ver você fazer!”. Nos movimentos de força eu até tentava, subindo na barra fixa e passando por cima dela, mas não nos movimentos de flexibilidade que envolviam voar pelos ares. Nunca mais! Fiz isso algumas vezes e aprendi a lição, pagando com dor e músculos rígidos por vários dias. E eu nem precisava: ser especialista em um esporte não garante que o especialista saiba treiná-lo. Michael Jordan demonstrou isso para nós.
O que um coach faz ocorre, na verdade, em um nível lógico superior. Por se tratar de uma expertise sobre algo, ela está em um nível acima do desempenho — no nível da estrutura e do processo. O coach precisa ter conhecimento especializado sobre o conteúdo. Esse caráter de “ser sobre” torna a expertise do coach uma meta-expertise (“meta” significa acima e além de algo, e a respeito dele).
Assim é o Life Coaching. A expertise do Life Coach não está tanto no desempenho, mas em facilitar o melhor desempenho do cliente e capacitá-lo a aprender a fazer o mesmo por si próprio. O life coaching consiste em evocar o melhor do cliente, capacitá-lo a comandar o próprio cérebro e utilizar os modelos mais avançados para gerar resultados de excelência.
No Life Coaching utilizamos um tipo especial de psicologia — não aquela que examina como as pessoas estão “quebradas” e precisam de conserto. Isso é terapia. Utilizamos a psicologia generativa. Não se trata de consertar pessoas nem de trabalhar problemas de traumas do passado; trata-se de gerar novos potenciais, novos recursos e novas forças. É uma psicologia positiva, focada em criar uma orientação de vida que mira a excelência. É ir em busca do ouro. É buscar ser excelente (não “perfeito”) em uma área específica: saúde, relacionamentos, sucesso profissional, parentalidade etc. Tudo isso descreve o tipo muito especial de coaching em que a PNL (Programação Neurolinguística) e a NeuroSemântica se especializam.
Hoje o Life Coaching conquistou seu espaço: homens e mulheres de destaque em todos os campos e áreas da vida sabem que a diferença entre sobreviver, ter um sucesso moderado e tornar-se incrivelmente bem-sucedido está, muitas vezes, nos menores refinamentos. Por isso contratam um Life Coach para desenvolver essa diferença que faz a diferença. Hoje os Life Coaches treinam pessoas em oratória, habilidades de negociação, visão de negócios, enriquecimento de relacionamentos, saúde e boa forma, ou em uma excelência específica que permite que seu QI e seu QE (quociente ou inteligência emocional) se combinem na medida certa para gerar um desempenho superior.
O Life Coaching funciona por meio de uma forma especial de feedback comportamental. O Life Coach foi treinado para fornecer um feedback limpo, baseado nos sentidos, que permite à pessoa ver a si mesma como em um espelho. Isso a conduz a pontos de escolha e ao ajuste de seus quadros mentais. Esse coaching também opera por meio de um tipo de conversa muito intensa e focada: uma conversa orientada a soluções. Ela acontece no momento presente, mas com um olho no futuro — é isso que a torna tão poderosa. É uma conversa exploratória, intensa, robusta, até feroz. Não é para os fracos de coração. Ela busca chegar ao coração, ou à estrutura, de uma situação com os olhos bem abertos e com uma consciência isenta de julgamento.
Essa busca vigorosa por padrões, com uma consciência isenta de julgamento, descreve um fator crítico que distingue o coaching do aconselhamento ou da terapia. É preciso muita força de ego para ser treinado por um coach. A maioria das pessoas em aconselhamento não a possui; elas estão lá, na verdade, para desenvolver mais força de ego e encarar a realidade. É também a consciência sem julgamento — apenas testemunhar e perceber com clareza e limpidez o que é, sem julgar — que permite receber feedback.
Quando o Life Coaching adota uma abordagem livre, ele se parece quase com uma conversa em fluxo de consciência, seguindo a energia mental e emocional para onde o cliente escolher. Ele percorre os níveis da mente, para baixo (ou para cima), descobrindo a Matriz de Quadros que compõe a estrutura mental-emocional de uma pessoa. A Master Coach Michelle Duval diz que o Life Coaching também pode adotar uma abordagem de processo. Nesse caso, haverá um conjunto específico de experiências pelas quais o coach conduzirá o cliente. As experiências são como exercícios: facilitam a descoberta de recursos, a percepção de novos insights e a conexão das coisas para maior alinhamento e congruência.
No jogo da vida, vence quem aprendeu as habilidades, descobriu as regras, praticou e desenvolveu as atitudes certas. E, como nos esportes, mesmo quando você está no topo do seu jogo, sempre há novos refinamentos para mais diversão, sucesso e realização.
Meta-Coaching
Lá em 1972, Tim Gallaway, um treinador de tênis, começou a treinar “o jogo interior do tênis”. Era o jogo mental-emocional que permitia aos melhores atletas jogar o jogo exterior com mais eficácia. Hoje isso se desenvolveu em um novo campo, o Coaching Neuro-Semântico, que se dedica especificamente a formar coaches para o Meta-Coaching. Neuro-Semântica refere-se a como nós, humanos, levamos o significado (semântica) para a nossa própria neurologia (neuro-), de modo que ele se torne programas motores e memória muscular. Em termos de coaching, a Neuro-Semântica fornece um arcabouço cognitivo-comportamental para que o coach opere a partir de um modelo testado, e não de uma miscelânea de técnicas. Você está pronto para ser treinado para o jogo da vida? Está pronto para treinar outras pessoas a vencer no jogo da vida e a aproveitar o processo? É disso que trata o Life Coaching.